O Chamado

Por: Cinthia Quadrado 

19882415– Já ouviu falar sobre uma fita de vídeo que você assiste e morre?

– Que tipo de fita?

– Uma fita. Uma fita comum de se alugar. Você assiste e é como se fosse o pesadelo de alguém. De repente uma mulher aparece sorrindo, sabe? Olhando você através da tela. Quando acaba, o telefone toca. Alguém sabe que você assistiu. E a voz diz: “Você morrerá em sete dias”.

           Esse é o diálogo de abertura de O Chamado, filme norte-americano de terror lançado em 2002 por Gore Verbinski. O filme conta com o roteiro de Ehren Kruger, trilha sonora de Hans Zimmer e é uma regravação do filme japonês Ringu, de Hideki Nakata, responsável pela adaptação do romance de Koji Suzuki (1998).

          O enredo traz Rachel Keller (Naomi Watts) uma jornalista que decide investigar a misteriosa, e também repentina, morte de sua sobrinha Katie (Amber Tamblyn). Após o pedido da mãe da jovem, para que Rachel investigue o caso, a jornalista passa a encontrar uma série de pistas que conectam a morte de Katie com uma lenda urbana: uma fita de vídeo mataria todos aqueles que a assistissem depois de sete dias. Assim, intrigada com os acontecimentos que a envolvem durante a investigação, Rachel passa a correr contra o tempo para não se tornar mais uma vítima da fita VHS.

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          As primeiras fontes para essa investigação são os próprios amigos da Katie. Depois de perguntar aos jovens o que poderia ter acontecido com a moça, Rachel mexe nos pertences da vítima e encontra um cartão de uma loja de impressão de fotografias. A curiosidade leva a jornalista a identificar o local em que a sobrinha havia passado um fim de semana com o namorado e os colegas e, como se fosse um quebra-cabeça, Rachel passa a procurar por informações em edições antigas no arquivo do jornal em que trabalha. Cada manchete, foto e texto trazem mais detalhes sobre uma série de acidentes que mataram todos aqueles que estavam com a sua sobrinha durante aquele fim de semana.

          Após sua ida ao local em que os adolescentes assistiram à famosa fita amaldiçoada, Rachel percebe que se envolveu profundamente com o caso: ela assiste ao filme e recebe o aviso de que morrerá em sete dias. Isso também ocorre com o seu filho, Aidan (David Dorfman), e a partir daí o prazo de sete dias passa a marcar o ritmo da narrativa, como se cada vez mais a morte se apressasse para encontrá-la no sétimo e último dia de investigações.

          Mesmo que o enfoque do longa-metragem seja mostrar uma história de terror, a figura do jornalista aparece como aquele que é questionador, sempre está conectado para checar informações e também que está em contato com fontes e diversos arquivos. O trabalho de descoberta do mistério, e da maldição, é de um detetive. A personagem investiga, descobre e segue pistas, indaga sobre o que descobre, não desiste e, passo a passo, vai montando o quadro da trama. Vários estereótipos são reafirmados durante a trama (Rachel não tem um relacionamento estável, é workaholic, não fica muito tempo com o seu filho, está em busca de um furo de reportagem).

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          A redação do jornal é o cenário de boa parte do trabalho de investigação. Além das entrevistas com os amigos da sobrinha, ela utiliza catálogos dos arquivos do jornal em que trabalha para coletar dados, assim como o laboratório de vídeo para analisar a fita com mais profundidade. É nessa análise que Rachel percebe a presença de um farol em meio às cenas bizarras do vídeo. Este fator guia a jornalista nas pesquisas, o que resulta na sua ida para uma ilha em que fatos estranhos ocorriam com a família Morgan – mais especificamente depois que a filha dos Morgan, Samara, havia chegado ao lugar.

          Quanto aos enquadramentos do filme, pode-se perceber que o primeiro plano (PP) e o primeiríssimo plano (PPP) se relacionam na tentativa de ambientar onde a personagem se encontra e quais as suas emoções naquele determinado ponto da cena. Na tentativa de utilizar o close para captar as emoções da personagem, ambos os planos permitem que se veja como Rachel tenta se manter fria e próxima aos acontecimentos como jornalista. A estratégia também se repete nas cenas em que seu filho e os demais entrevistados (como Becca, interpretada por Rachael Bella, a amiga de Katie que estava na mesma casa que a moça no dia em que ela foi morta) aparecem. Isso faz com que o espectador mantenha ainda mais a atenção para o que acontecerá na sequência da história. Já o plano detalhe faz com que a sucessão de acontecimentos surpreenda as pessoas. De um olhar no espelho do carro, às mãos do menino ao desenhar ou até à chuva ao cair na janela. Cada detalhe chama a atenção do espectador e este, em sequência, é surpreendido por uma mudança brusca de cenário ou por uma música com um volume mais alto.

          Em relação às cores, estas trazem um tom mais lavado, quase preto no branco, que se aproxima da frieza de Rachel ao desvendar o caso. Esse tom acompanha o desenvolvimento da investigação, que muitas vezes se confunde com o cenário da fita amaldiçoada, já que a jornalista começa a perceber o que levou Samara a fazer aquela fita.

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          São esses os elementos que fazem com que o espectador prenda sua atenção na trama obscura e repleta de suspense de O Chamado. Mesmo sendo um gênero diferente daqueles que recorrentemente retratam os jornalistas e seu trabalho, o longa assusta e, ao mesmo tempo, envolve o espectador e o faz acompanhar a investigação de Rachel Keller sobre a fita de vídeo. E graças às suas habilidades como jornalista, a personagem é vitoriosa na saga de investigação e elucidação do mistério.

 

Links e referências interessantes:

https://www.facebook.com/TheRingMovie

GONÇALVES, Claudiomar dos Reis. Estudos Culturais e Cinema: gênero e sociedade. “Ringu” e “The Ring”. Revista História Hoje (São Paulo). n. 5, 2004. Disponível em: http://www.uel.br/pessoal/jneto/gradua/historia/recdida/estudosculturaisPessoalJNETO.pdf 

FELINTO, Erick . Imagens que Matam: o Imaginário do Pânico Midiático no Novo Cinema Oriental. Revista Ícone (Recife) , v. 9, 2006. Disponível em: http://revistaicone.hipermoderno.com.br/index.php/icone/article/viewFile/2/1

FALCÃO, Filipe. Estética Sonora no Cinema de Terror: Diferenças nos Efeitos Surpresas em Ringu e O Chamado, 2014. (Congresso). Disponível em: http://www.intercom.org.br/sis/2014/resumos/R9-1730-1.pdf

Ficha Técnica:

Nome: The Ring

Direção: Gore Verbinski

Ano: 2002

País: Estados Unidos

Duração: 115 min

Gênero: Terror

Elenco: Naomi Watts, Martin Henderson, David Dorfman, Brian Cox, Jane Alexander.

Trailer:

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