A Vida de David Gale

Por Paulo Palma Beraldo

a-vida-de-david-galeA pena de morte deve ser abolida? Vista por muitos como solução e por tantos outros como ineficaz, o filme “A Vida de David Gale” (The Life of David Gale) levanta esse debate ao mostrar um professor universitário ser acusado e condenado injustamente à morte pelo estado do Texas. O desvendamento da injustiça coube a uma jornalista convidada a entrevistá-lo, reconstruir a história e investigar o que realmente teria acontecido. Cabia à repórter descobrir e divulgar a verdade. Mas não seria fácil.

Nos Estados Unidos, a pena de morte é uma opção em 32 estados (de um total de 50). Além dos EUA, outros 57 países têm essa pena como medida de punição. Nações como China, Índia, Irã, Egito, Arábia Saudita, Tailândia, Nigéria, Malásia e Indonésia adotam o método como punição a crimes.

De acordo com a Anistia Internacional, os países que mais executaram em 2014 foram Irã (239), Arábia Saudita (90), Iraque (61) e EUA (35). A China não libera os dados, mas estima-se que o número ultrapasse os dois mil.

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No início de 2015, dois brasileiros foram fuzilados na Indonésia por terem sido flagrados traficando drogas. O caso reacendeu o debate no Brasil. Um argumento contrário à pena de morte é o fato haver a possibilidade de tirar a vida de um inocente. E é exatamente isso que mostra o filme sobre a vida do professor David Gale.

O filme, dirigido pelo inglês Alan Parker, autor de obras como Expresso da Meia Noite (1978), Pink Floyd The Wall (1982), Mississipi em Chamas (1988) e Evita (1996), traz à tona essa questão e permite uma reflexão. Alan Parker, que se declara publicamente contra a pena de morte, fez o filme “esperando que ele suscite debates”, declarou em um comunicado na época do lançamento de A Vida de David Gale, no ano de 2003.

David Gale, interpretado por Kevin Spacey (quem acompanha a série House of Cards vai se lembrar do ator na pele do personagem Frank Underwood), é um professor de filosofia em uma universidade do Texas que foi acusado injustamente de ter estuprado uma aluna. E depois, acusado ainda de ter assassinado uma grande amiga também professora, Constance (Laura Kinney). Gale e Constance se conhecem porque lutam juntos contra a pena de morte, na organização DeathWatch.

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Ao contrário da acusação, não houve um estupro por parte do professor sobre a aluna. Em uma festa da faculdade, os dois ficaram bêbados e acabaram tendo relações sexuais. Já no caso de Constance, a professora e ativista se suicidou.

Mas as acusações e a impossibilidade de se mostrar inocente causaram uma turbulência na vida de David Gale. Sua esposa pede o divórcio, muda-se de casa com o filho, o que entristece ainda mais Gale e faz com que ele abuse das bebidas alcoólicas. O álcool e a embriaguez trazem ainda mais problemas para o professor.

O tempo passa e David Gale é condenado à pena de morte por não conseguir provar sua inocência. Uma grande ironia, já que era um ferrenho militante contra essa causa. Para tentar limpar seu nome perante sua família o professor convoca uma jornalista para tentar ajudá-lo a provar que não havia cometido os crimes, “não para escapar da pena de morte, mas para honrar sua memória perante seu filho”.

A jornalista Elizabeth Bloom é interpretada por Kate Winslet e é famosa por seu profissionalismo. David a convida quatro dias antes da sua execução e conta a ela, em uma série de três entrevistas, os pormenores de como chegou até aquela situação, evidenciando sua inocência.

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A jornalista e um estagiário vão dia a dia reconstruindo a história e percebendo em detalhes a verdade por trás da acusação de estupro e assassinato possivelmente cometidos por Gale. Além das entrevistas, a jornalista também recebe um vídeo enviado anonimamente. Nos poucos segundos, o vídeo apresenta uma cena da morte de Constance. O que Elizabeth não percebe de imediato é que a chave da verdade e da liberdade de David está naquele pequeno trecho.

É após sua última entrevista com Gale que a jornalista percebe que a inocência do professor estava naquele vídeo. Para comprovar sua teoria, Elizabeth recria parte da cena da morte de Constance. Com a revisão dos fatos e evidências e a recriação da cena, a dupla chega à conclusão de que Gale seria morto injustamente e que Constance não havia sido assassinada.

Logo depois, Elizabeth passa a divulgar as informações e as provas de que Gale é inocente para todos os meios de comunicação que tem acesso. No dia seguinte, as principais redes de televisão, jornais e rádios do país acusavam o governo texano de ter assassinado injustamente um dos maiores militantes contra a pena de morte.

Vale destacar que o filme promove uma reflexão. Não diz se a pena de morte é correta ou injusta. Deixa ao telespectador a resposta. E também aponta a importância do jornalismo e do jornalista ético na construção e disseminação de informações e histórias que mostrem a verdade, sem apelar para o sensacionalismo. A repórter foi escolhida por David pela sua sagacidade na investigação e pela seriedade em busca da verdade. E Elizabeth se envolve, entrega-se ao trabalho durante aqueles poucos dias. Misturando método jornalístico e técnicas policiais ela interpreta sinais, vasculha fontes, interage com elas e o desvendamento vai envolvendo o público. Por outro lado, o sucesso da repórter e de seu assistente dependia das pistas propositadamente deixadas para eles.

Links interessantes:

ALPENDRE, Sergio. A Vida de David Gale. Disponível em:  http://www.contracampo.com.br/criticas/avidadedavidgale.htm

Site Oficial: http://www.thelifeofdavidgale.com/

http://www.rottentomatoes.com/m/life_of_david_gale/

DUNKER, Christian Ingo Lenz. O Lacanismo Radical de David Gale. Disponível em: http://lacaneando.com.br/o-lacanismo-radical-de-david-gale/

Ficha técnica:

Título original: The Life of David Gale

Ano: 2003

País: EUA e Alemanha

Roteiro: Charles Randolph

Direção: Alan Parker

Produção: Nicolas Cage e Alan Parker

Elenco: Kevin Spacey; Kate Winslet; Laura Linney; Gabriel Mann; Matt Craven

Trailer:

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