O Americano Tranquilo

Por: Thainá Zanfolin

825c72bfbd90d57ca0a29661945ce98c_jpg_290x478_upscale_q90Dirigido por Philip Noyce, “O Americano Tranquilo” de 2002 é uma regravação da versão de 1958. Os dois são baseados no livro de Graham Greene, de mesmo nome, publicado também na década de 50. O autor do livro viveu em Saigon, cidade retratada na narrativa, na mesma época da história. Ele foi jornalista correspondente do The Times, assim como o personagem principal do livro e do filme (Thomas Fawlor). Com a primeira versão, de 1958, considerada pró-EUA pela maioria dos críticos, a Miramax, empresa responsável pela produção do filme, por pouco não o lançou.

Em uma hora e meia, a fotografia de cena e alguns detalhes da filmagem, como foco em apenas um personagem, trazem algumas características próprias para o longa-metragem. Com uma narrativa mais lenta, a história se passa em 1952 em um Vietnã em guerra com os comunistas. Thomas Fawlor (Michael Caine) é um jornalista inglês, correspondente do jornal London Times e narrador da história. Casado na Inglaterra, mas envolvido com a jovem vietnamita Phuong (Do Thi Hai Yen), seu romance é abalado com a chegada de Alden Pyle (Brendan Fraser), enviado dos Estados Unidos para auxiliar em missão secreta de guerra. O romance, com triangulo amoroso, mescla-se com detalhes da vida cotidiana durante o conflito, além das estratégias e interesses presentes no país, onde grupos comunistas, franceses, norte-americanos e independentes tentavam dominar a região.

A trama apresenta o jornalista como narrador e personagem central com credibilidade pelo seu perfil profissional. No início do filme, Fawler afirma que é um bom ouvinte e observador, fazendo com que o público já acredite que, por ter essas características, uma história contada por ele pode ser a mais próxima possível do real.

Além disso, o personagem Fawlor aparece como um profissional curioso e interessado, que vai até o acontecimento para poder relatar e escrever sobre determinado assunto, trazendo ainda mais a ideia de que a história é contada por alguém que sabe observar o que acontece ao seu redor.

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Durante a narrativa, Fawlor visita o interior do país a fim de observar movimento dos grupos e o conflito em detalhes para produzir uma boa reportagem. Faz algumas entrevistas e acompanha militares, sempre fazendo perguntas e tentando confrontar as informações e montar um quadro da situação. O raciocínio feito pelo personagem para entender os acontecimentos pode ser acompanhado pelo público juntamente com o desenvolvimento da história. Tudo isso faz com que ele tenha a imagem de jornalista que busca entender todos os aspectos de um acontecimento, sem tomar posicionamento. Além disso, por várias vezes busca informações em campo, entrando e conversando com pessoas consideradas perigosas, sendo, então, o jornalista que faz tudo pela busca da informação e produção da notícia.

No longa-metragem, podemos observar Fawlor trabalhando em seu escritório com a ajuda do assistente e secretário, Hinh (Tzi Ma), que o auxilia tanto na checagem de informações quanto nas entrevistas. A partir do seu personagem, podemos notar características diferentes sobre a profissão. Enquanto Fawler aparenta ser sistemático e evitar “truques” para conseguir as informações, Hinh lança mão de “informantes” secretos e, muitas vezes, obtém informações privilegiadas por ter relação próxima com os grupos em conflito no país.

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Na metade do filme, a relação de Fawler com o norte-amernicano Pyle se torna complexa, mostrando o lado mais humano do jornalista. Também apaixonado por Phuong, Pyle pretende casar-se com ela, o que abala a amizade entre os dois. Além disso, o possível retorno de Fawler para Londres o induz a uma crise existencial,  humanizando ainda mais o personagem. Outras cenas, como ataques ocorrendo na cidade, mostram a imensa preocupação do jornalista com sua amada e com todas as pessoas vitimadas, o que, no final do filme, torna-se significativo para as decisões tomadas pelo protagonista.

Apesar de demonstrar ser uma pessoa íntegra e justa, sempre buscando a informação mais profunda e problematizada, Fawler, em alguns momentos da sua vida pessoal, mente e esconde informações para não perder Phuong. É importante enfatizar que isso ocorre apenas quando diz respeito à vida pessoal e nunca à profissão, humanizando o personagem sem tirar sua credibilidade de jornalista.

Como é possível notar, durante a narrativa temos a presença de dois tipos de jornalistas bem distintos. Um que faz tudo pela informação, mas sem perder sua integridade, e outro que obtém as informações aparentemente de forma ilícita e tenta fazer com que as investigações e as decisões sejam tomadas de acordo com seu interesse, sendo subjetivo. O primeiro é o narrador do filme, inglês, trabalha para um grande veículo, tem trajetória e credibilidade, ainda que esteja numa má fase.

A questão do narrador é importante, pois demonstra que é o profissional estrangeiro que detém o olhar sobre os acontecimentos, utiliza a metodologia do jornalismo moderno e dirige a finalização dos textos a serem enviados. E a subjetividades está projetada no colaborador vietnamita.

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Os acontecimentos mais importantes para o desfecho da história acontecem a partir do meio do filme. A narrativa passa a girar em torno de uma investigação sobre um possível auxílio de outros países a grupos armados dentro do Vietnã. Após uma das descobertas, Fawler é obrigado a tomar uma grande decisão envolvendo tanto sua vida profissional quanto a pessoal. Essa decisão se torna importante para a imagem que temos do personagem, pois mostra a integridade de Fawler, que não deixou que os sentimentos influenciassem sua decisão. Além disso, o jornalista se coloca em defesa da população do Vietnã, mostrando compaixão e colocando-os em primeiro lugar em suas escolhas.

Com uma história interessante, o filme abre discussões em torno dos conflitos no Vietnã, do apoio militar dos EUA, das consequências da guerra para a vida da população. Na questão dos jornalistas, como a personalidade e os interesses destes podem afetar o trabalho, mostrando toda a subjetividade que o profissional pode ter frente a uma reportagem, ainda mais imerso numa guerra.

 Links:

http://cinema.uol.com.br/resenha/teste/2002/o-americano-tranquilo.jhtm

https://objethos.wordpress.com/2010/03/03/resenha-o-americano-tranquilo/

http://omelete.uol.com.br/filmes/criticas/o-americano-tranquilo/

http://cinematorio.blogspot.com.br/2003/03/o-americano-tranquilo.html

http://www.rottentomatoes.com/m/1118347-quiet_american/

 

Ficha técnica:

Título Original: The Quiet American

Gênero: Drama

Direção: Phillip Noyce

Roteiro: Christopher Hampton, Robert Schenkkan Baseado no livro The Quiet American de Graham Greene

Elenco: Brendan Fraser, Do Thi Hai Yen, Ferdinand Hoang, Holmes Osborne, Khoa Do, Mathias Mlekuz, , Nguyen Thi Hieu, Pham Thi Mai Hoa, Quang Hai, Rade Serbedzija, Robert Stanton, Tzi Ma

Produção: Staffan Ahrenberg, William Horberg

Duração: 118 min.

Ano: 2002

País: Alemanha / Estados Unidos

Trailer:

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