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Os Homens que Encaravam Cabras

Por Gabriel Dos Ouros 

os-homens-que-encaravam-cabras1Imagine se alguém, almejando transformar o mundo em algo bom e construir uma nova América que não explore seus recursos naturais, resolve mudar o exército introduzindo espiritualidade, paz e amor na guerra, além de armas não-letais 100% biodegradáveis. “Seja tudo que você pode ser” era o slogan desse exército, o Exército da Nova Terra. O filme se desenrola numa perspectiva hippie que traz coincidências, comicidade e surrealismo em sua narrativa. (mais…)

Balibo

Por Matheus Fernandes

7794Em 1975, o Timor Leste, pequeno país do sudeste asiático, declarou sua independência de Portugal, após mais de 300 anos de exploração. Nove dias depois, foi invadido e anexado pela Indonésia, que contava com apoio dos Estados Unidos e da Austrália.

A ocupação durou 24 anos, deixando centenas de milhares de mortos. Entre as primeiras vítimas estavam cinco jornalistas: Greg Shackleton, Tony Stewart, Gary Cunningham, Brian Peters e Malcolm Rennie. Os cinco cobriam o conflito para canais de televisão australianos, e ficaram conhecidos como Balibo Five, em referência à cidade onde foram executados por militares indonésios. Um mês depois, o também jornalista Roger East, foi assassinado no país, enquanto tentava rastrear o paradeiro do grupo Balibo Five. (mais…)

Darfur: Deserto de Sangue

Por Thales Valeriani

O Complexo de Clark Kent em meio a uma guerra civil

darfur-deserto-de-sangue          O filme Darfur: Deserto de Sangue foi produzido em 2009 pelo diretor alemão Uwe Boll e retrata a guerra civil sudanesa que ocorreu entre 1983 e 2005, sendo a guerra civil mais longa do continente africano e uma das piores crises humanitárias do séc XXI. Entre 2005 e 2011, ano de criação e separação do Sudão do Sul, houve conflitos esporádicos. (mais…)

Tinta Roja

Por Maximiliano M. Vicente

filmes_8654_Tinta02O que acontece se misturamos vermelho com preto? Via de regra obteremos um resultado nada agradável e muito pouco atraente para ser usado no cotidiano. Se a combinação dessas cores nos apresenta uma tonalidade inusitada, podemos imaginar o quanto é complexo para um jornal (tinta preta) se adentrar num mundo perturbador e complexo, conhecido como mundo cão e descrever episódios fora do denominado senso comum da sociedade (tinta roja). Essa problemática é a enfrentada por Francisco Lombardi na película peruana denominada de Tinta Roja. (mais…)

Alto Risco

Por: Lara Sant’Anna 

          dvd-filme-alto-risco-joan-allen-2000-14406-MLB3936391910_032013-FQue a justiça seja feita, mesmo que o céu caia. Esse é o lema do detetive Mackey (Patrick Bergin) de polícia responsável pelas investigações sobre o tráfico de drogas em Dublin. O problema, porém é que ninguém acredita que o céu vai cair, até que acontece.

          Alto Risco (When the Sky Falls) é uma produção de 2000, dirigido por John Mackenzie e conta a história de Sinead Hamilton, jornalista Irlandesa que foi assassinada a mando de um traficante da cidade. O filme foi baseado na vida de Verônica Guerin, tema fascinante ao cinema que produziu posteriormente outra adaptação, o longa “O Custo da Coragem”, já analisado nesse blog por Aline Pádua. (mais…)

O mercado de Notícias

O Mercado de Notícias – “E diga-nos quais são as novidades? Oh! Sir, o mercado de notícias! Ou o novo ofício, como queira”[1]

 Por Arlindo Rebechi Junior

 605176236f          Não é de hoje que se fala que, em grande parte de sua obra, o cineasta Jorge Furtado tenha mobilizado temáticas que gravitam ao redor das discussões sobre a intensa lógica do capital, com filmes falando sobre dinheiro, exploração, ascensões sociais de classe, entre outros caminhos. Com O mercado de notícias, seu último filme, lançado em 2014, essa tônica também se confirma. Porém a chave de leitura é outra em relação aos filmes anteriores: o que está em jogo é a discussão dessa lógica, em toda sua dimensão simbólica representada pelo mundo do jornalismo (e a briga pelo monopólio da informação e da “verdade”!) e sua inerente crise moderna que nos projeta enquanto leitores. (mais…)

O Preço Da Coragem

Por: Jéssica Santos

          ikmrdvdoprecodacoragemOs atentados terroristas de 11 de setembro entraram para a história dos conflitos político-ideológicos da humanidade e impactaram profundamente o trabalho da imprensa na difusão de informações sobre comunidades muçulmanas e a atuação de grupos extremistas. Em O Preço da Coragem, o público é convidado a testemunhar os perigos do ofício de repórter através da história real do jornalista norte-americano Daniel Pearl. Danny era correspondente do Wall Street Journal e foi sequestrado no Paquistão enquanto produzia uma reportagem sobre o grupo terrorista liderado por Osama Bin Laden.

          No filme, o espectador é conduzido ao início da guerra ao terror comandada por tropas americanas e britânicas no Afeganistão. Na contramão das coberturas, os jornalistas Daniel Pearl (Dan Futterman) e sua esposa Mariane(Angelina Jolie) desembarcam no Paquistão. Eles se hospedam na casa de sua amiga Asra, em Karachi, e passam a produzir matérias especiais sobre aspectos relacionados à instabilidade da região. Ambos dedicam especial atenção às problemáticas envolvendo armas nucleares, campos de treinamento da jihad e condições de vida dos refugiados.

          O longa reproduz todos os acontecimentos desde o dia em que o casal de jornalistas chegou ao Paquistão até o retorno de Mariane para a França. A tensão fica por conta dos detalhes apurados durante a investigação do sequestro e da cobertura da imprensa na época. Embora o público conheça o caso, cada personagem traz um toque de suspense à trama e garante a curiosidade pelo seu desdobramento.

          A ideologia jihadista motivou o sequestro do jornalista americano e pressupõe a dualidade entre Ocidente e Oriente. Trata-se de uma espécie de guerra sagrada travada em defesa do islamismo para converter novos fiéis, recuperar terras no domínio de não muçulmanos e fundar um império próprio. No Afeganistão e Paquistão, são oferecidos treinamentos intensos para a jihad nas escolas religiosas (madrassas). Osama Bin Laden foi recrutado pelo movimento e ocupou cargo de gerência contra os soviéticos durante a Guerra Fria.

          Em janeiro de 2002 o casal esperava o primeiro filho, e permanecia no país para que Daniel concluísse um trabalho. No dia de seu desaparecimento, o correspondente consultou Kaleem Yusuf e o representante da Segurança Diplomática do consulado americano no Paquistão sobre o desejo de entrevistar Sheikh Gilani.

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          As orientações revelaram a periculosidade da fonte, mas Daniel decide prosseguir e avisa Mariane que se atrasaria para o jantar da noite de 23 de janeiro. Sem perceber, o jornalista foi observado à distância enquanto aguardava em frente a um restaurante. Pouco depois, um carro o apanhou e conduziu até o hotel em que conheceria Bashir, intermediador da conversa.

          Acompanhado de Masud e Arif, Bashir explicou ao correspondente que Sheikh Gilani era considerado um líder espiritual, sagrado por sua descendência direta do profeta. Daniel foi questionado sobre o propósito de sua matéria e se abordaria a temática terrorista. Sem hesitar, o jornalista não adianta os tópicos da entrevista e se vale de sua credibilidade para viabilizar o encontro. Entretanto, não imaginava que estava cruzando os limites de segurança profissional e adentrava num meio que não conhecia.

          Na mesma noite, Asra recebe alguns amigos para o jantar. Mariane demonstra desconforto quando um dos convidados se refere a Daniel como agente da CIA e satiriza o grau de envolvimento dos americanos com o contexto sócio-político do Paquistão e Afeganistão. Preocupada com a demora do marido, ela se ausenta da mesa e tenta localizá-lo pelo celular.

          Horas depois, Mariane acessa os últimos e-mails de Daniel e descobre o empenho dele para entrevistar Sheikh Gilani, em Karachi. Preocupada, decide pesquisar sobre a vida de Gilani e encontra informações sobre possíveis participações do líder religioso em atos de violência contra não islâmicos.

          Na manhã seguinte, o consulado americano no Paquistão foi comunicado sobre o desaparecimento. Ficava cada vez mais difícil esconder o nervosismo e o medo de descobrirem que Daniel era judeu. Asra, que também é jornalista, acompanha a aflição de Mariane e resolve telefonar na redação do Wall Street Journal para avisar o editor-chefe, John Busey.

          A inteligência militar paquistanesa (ISI), responsável pela desarticulação do terrorismo, é notificada e representantes visitam Mariane em busca de informações básicas do correspondente. A polícia inicia uma caçada em busca de pistas sobre o paradeiro do jornalista, enquanto o chefe da inteligência militar interroga Masud a respeito de conversas entre Daniel, Arif e Bashir.

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          Os trabalhos de busca são iniciados em parceria com representantes da embaixada francesa, do FBI e da polícia paquistanesa. O filme mostra como as instituições envolvidas tiveram de manter as diferenças político-ideológicas de lado e compartilhar informações ao longo de todo o processo investigativo.

          Uma espécie de rede de contatos foi construída numa lousa fixada na sala. Para chegar a Daniel, era preciso localizar Arif, Bashir, Imtiaz Siddique e Gilani. Mariane recebe a visita de Kaleem Yusuf – um dos homens que seu marido consultou antes de seguir para a entrevista. Ele traz uma lista com as últimas ligações de Daniel e os números de Arif, Bashir e Siddique. A equipe de investigação está dividida e uma parte prossegue com o rastreamento de IP do computador dos sequestradores. Há dias, a mídia internacional estava de prontidão em frente à casa de Asra para acompanhar as novidades do caso. Após inúmeros pedidos de entrevistas, Mariane decide falar e esclarecer os equívocos divulgados sobre o correspondente.

          Com exclusividade para a CNN, seis dias após o desaparecimento de Daniel, Mariane reitera a credibilidade e o profissionalismo de seu marido e desmente qualquer ligação dele com órgãos do governo norte-americano. Embora ciente da gravidade do evento, a jornalista francesa reforçou sua confiança nas investigações.

          No décimo dia de sequestro, todos são surpreendidos com a notícia da morte de Daniel. O diretor do longa aproveita este momento para criticar duramente a ausência de compromisso, ética e o despreparo dos jornalistas que divulgaram o falecimento sem aguardar a confirmação de sua identidade pela família. A informação era falsa.

          A polícia se mantém empenhada na busca de fontes e no rastreamento telefônico dos criminosos. O aumento da tensão em torno do caso levou o chefe da inteligência militar a endurecer o tratamento aos interrogados e cobrar providências urgentes da equipe em nome da reputação paquistanesa frente à opinião pública internacional. O representante da Segurança Diplomática tem conhecimento da postura do policial e passa a ser conivente com o uso indiscriminado de tortura e violação dos direitos humanos em troca de informações.

          Enfim, no dia 21 de fevereiro de 2002, os investigadores receberam o vídeo da execução do jornalista pelos extremistas islâmicos. Após assistir, eles se deslocam até a casa de Asra para comunicar Mariane. Neste momento, a personagem forte e determinada da viúva demonstra experiência e firmeza da jornalista diante de contrariedades.

A Mighty Heart

          O filme é homônimo do livro de memórias (A Mighty Heart) escrito por Mariane em homenagem a Daniel. Ambos representam excelentes oportunidades para o público conhecer a história do jornalista americano, a complexidade do ofício de repórter, os riscos envolvendo o trabalho em regiões de conflito e a dualidade político-ideológica estabelecida entre Ocidente e Oriente.

          A princípio, a jornalista se recusa a assistir ao vídeo da execução de Daniel, porém na fase final de sua gestação decide que precisava vê-lo como alternativa para se desfazer de parte de seu sofrimento. Por fim, Mariane buscou renascer com a chegada de seu filho Adam, com quem vive na França, e garante não se sentir aterrorizada.

Links  e referências interessantes:

http://cinefilapornatureza.blogspot.com.br/2007/12/o-preo-da-coragem-mighty-heart-2007.html

A Mighty Heart. Mariane Pearl and Sarah Crichton. New York: Scribner, 2003. http://marianepearl.com/biography.php

NOMAN, Asra Q. A Mighty Shame. http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/06/22/AR2007062201673.html?hpid=opinionsbox2

Ficha Técnica:

Título Original: A Mighty Heart

Direção: Michael Winterbottom

Roteiro: John Orloff

Gênero: Drama

Ano: 2007

País: EUA, Reino Unido

Elenco: Dan Futterman, Angelina Jolie, Archie Panjabi, Mushtaq Khan, Arif Khan, Amit Dhawan, Saira Khan, Zafar Karachiwala, Danish Iqubal, Azfar Ali, Ahmed A. Jamal, Denis O’Hare, Perrine Moran, Jeffry Kaplow, Aly Khan.

Produção: Revolution Films, Paramount Vantage, Plan B

Distribuidor: Paramount Vantage, Paramount Movies

Trailer: