Confidencial

Por Lara Sant’Anna

filmes_1860_confidencial-poster03Em 2005 o livro “A Sangue Frio” fez 40 anos de sua publicação, e nada melhor do que homenagear a obra e seu autor, Truman Capote, concedendo-lhes dois filmes: Capote (2005) e Confidencial (2006). Sobre o primeiro já falamos aqui nesse blog , então, agora, chegou a vez do segundo! (mais…)

O Diabo Veste Prada

Por: Camila Nishimoto

O_Diabo_veste_Prada  Andrea “Andy” Sachs (Anne Hathaway) é a típica mulher cheia de expectativas, recém saída da faculdade de jornalismo de Northwestern, em busca de um emprego dos sonhos na cidade de Nova Iorque. O que ela encontra, entretanto, é bem diferente do que esperava: consegue um emprego de assistente na revista Runaway, referência no mundo da moda (do qual não faz parte).

Além de ter começado a trabalhar num ambiente que não correspondia à sua personalidade, Andy tem que enfrentar uma chefe nada amigável: a temível Miranda Priestly (Merryl Streep), que a subjulga de todas as formas possíveis. Tal pressão faz Andrea rever suas prioridades e valores, fazendo de tudo para se encaixar e conseguir a aprovação da chefe que tanto parece desprezá-la. (mais…)

La Dictadura Perfecta

Por: Michael Barbosa

La_dictadura_perfecta-995719025-largeEm La Dictadura Perfecta, filme mexicano de 2014 do diretor Luis Estrada, vemos um presidente que faz um comentário racista ter toda a atenção desviada do seu ato por uma gigantesca rede de televisão local que noticia com destaque um escândalo de corrupção envolvendo o governador Carmelo Vargas (Dámian Alcázar) que, em seguida, fecha um acordo milionário de “prestação de serviços em comunicação” com essa mesma rede de tevê, que se compromete a encobrir escândalos e elaborar um cuidadoso plano de valorização da persona política de Vargas. (mais…)

118 Dias

Por: Gabriel Dos Ouros

100429Baseado em fatos reais, 118 dias (Rosewater) conta a história do jornalista londrino e natural do Irã, Maziar Bahari (Gael Bernal), que deixou Londres e sua mulher grávida para cobrir as eleições presidenciais de seu país de origem em 2009, pensando em ganhar um dinheiro extra para ajudar nas despesas de seu filho que está por vir. O então presidente linha dura do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, está aparentemente prestes a perder a eleição para o reformista Mir Houssein Mousavi, mas surpreendentemente Ahmadinejad consegue se reeleger com uma larga margem de votos. As consequências disso? Manifestações populares, repreensão da polícia, a prisão de Bahari – que conseguiu filmar um assassinato da polícia contra um civil – e a tortura para que o jornalista confesse, em rede nacional, ser um espião do Ocidente. Mas será que um regime autoritário e opressor em plena era da informação consegue se manter com mentiras e manipulações? (mais…)

A Vida de David Gale

Por Paulo Palma Beraldo

a-vida-de-david-galeA pena de morte deve ser abolida? Vista por muitos como solução e por tantos outros como ineficaz, o filme “A Vida de David Gale” (The Life of David Gale) levanta esse debate ao mostrar um professor universitário ser acusado e condenado injustamente à morte pelo estado do Texas. O desvendamento da injustiça coube a uma jornalista convidada a entrevistá-lo, reconstruir a história e investigar o que realmente teria acontecido. Cabia à repórter descobrir e divulgar a verdade. Mas não seria fácil.

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Cinco dias de Guerra

Por: Vinicius Vermiglio

      1486193_big    “A primeira vítima da guerra é a verdade”, disse Hiram Johnson, senador dos Estados Unidos em 1918. A frase cima é a primeira imagem de 5 dias de guerra, um filme sobre como os jornalistas Thomas Anders e seu amigo e repórter-cinematográfico, Sebastian Ganz, fazem de tudo para ir atrás de uma história digna do noticiário americano em plena guerra entre Geórgia e Rússia.

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Alto Risco

Por: Lara Sant’Anna 

          dvd-filme-alto-risco-joan-allen-2000-14406-MLB3936391910_032013-FQue a justiça seja feita, mesmo que o céu caia. Esse é o lema do detetive Mackey (Patrick Bergin) de polícia responsável pelas investigações sobre o tráfico de drogas em Dublin. O problema, porém é que ninguém acredita que o céu vai cair, até que acontece.

          Alto Risco (When the Sky Falls) é uma produção de 2000, dirigido por John Mackenzie e conta a história de Sinead Hamilton, jornalista Irlandesa que foi assassinada a mando de um traficante da cidade. O filme foi baseado na vida de Verônica Guerin, tema fascinante ao cinema que produziu posteriormente outra adaptação, o longa “O Custo da Coragem”, já analisado nesse blog por Aline Pádua. (mais…)

O mercado de Notícias

O Mercado de Notícias – “E diga-nos quais são as novidades? Oh! Sir, o mercado de notícias! Ou o novo ofício, como queira”[1]

 Por Arlindo Rebechi Junior

 605176236f          Não é de hoje que se fala que, em grande parte de sua obra, o cineasta Jorge Furtado tenha mobilizado temáticas que gravitam ao redor das discussões sobre a intensa lógica do capital, com filmes falando sobre dinheiro, exploração, ascensões sociais de classe, entre outros caminhos. Com O mercado de notícias, seu último filme, lançado em 2014, essa tônica também se confirma. Porém a chave de leitura é outra em relação aos filmes anteriores: o que está em jogo é a discussão dessa lógica, em toda sua dimensão simbólica representada pelo mundo do jornalismo (e a briga pelo monopólio da informação e da “verdade”!) e sua inerente crise moderna que nos projeta enquanto leitores. (mais…)

Obsessão

Por: Priscila Belasco

Em Obsessão (The PapeThePaperBoy_24x40.inddrboy, 2012) Zac Efron desconstrói um pouco mais sua imagem de garoto da Disney e incorpora no drama o jovem e bonito Jack Jansen, um entregador de jornal do sul dos Estados Unidos. Ambientada em Moat County, Flórida, a história se propõe a contar como a vida de Jack, sem rumo e sem motivação, ganha um novo capítulo quando seu irmão volta à cidade natal para investigar a prisão de Hillary Van Wetter, acusado de assassinar o xerife local. Com falhas na investigação e sumiço de evidências, Ward Jansen (Matthew McConaughey) juntamente com o escritor Yardley Acheman (David Oyelowo) tenta reunir provas e ligar os pontos de um crime mal esclarecido, mas a curiosidade dos jornalistas ganhou proporções insustentáveis. (mais…)

Histórias Cruzadas

Por: Agnes S. Guimarães

          Historias CruzadasEm 1962, na cidade de Jackson, Mississipi, Eugenia “Skeeter” Phelan (Emma Stone) retorna à casa dos pais depois de terminar a faculdade de jornalismo. Enquanto ela aguarda uma oportunidade de emprego num grande veículo, permanece na sua cidade natal e convive com conflitos raciais entre as empregadas negras domésticas e suas patroas, jovens, brancas e, muitas vezes, criadas pelas mesmas mulheres que, hoje, cuidam dos seus filhos. E o faro jornalístico aguça a sensibilidade e a indignação diante das relações cruéis entre brancos e negros.

          A ausência de Constantine (Cicely Tyson), sua babá, e a incompreensão para o engajamento das amigas na construção de banheiros exclusivos para domésticas – separados, portanto, dos banheiros das famílias-, Skeeter decide escrever um livro com relatos das empregadas, a começar pela experiência de Aibillen Clark (Viola Davis), que criou cerca de dezessete crianças, enquanto perdeu seu único filho, vítima de um acidente. Embora relutante no começo, a melhor amiga de Aibillen, Minny Jackson (Octavia Spencer), resolve contar sua história, e, aos poucos, outras empregadas ajudam a jornalista.

          Baseado no livro The Help, de Kathlyn Stockett, Histórias Cruzadas fez um estrondoso sucesso, tanto nas bilheterias quanto entre os críticos. A atriz Octavia Spencer ganhou um Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo seu papel como Minny, e o elenco, majoritariamente feminino, ganhou o prêmio de melhor elenco do Sindicato dos Atores dos Estados Unidos (SAG Awards).

          A aclamação pelo filme se deve desde ao elenco carismático e talentoso até a forma em que o público é cativado por uma história que envolve um tema considerado uma das maiores manchas da história dos Estados Unidos: as leis de segregação racial (conhecidas como Leis de Jim Crow), em vigor nos estados sulistas do país por mais de setenta anos (1890-1965).

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          No entanto, alguns críticos reclamam sobre o caráter happy-ending do filme, uma obra que seria feita para emocionar o público, mas que deixa de lado o protagonismo do movimento negro dentro das lutas pelos direitos civis. Afinal, se ocorre alguma mudança na vida das personagens negras do filme, é algo sempre atrelado a alguma personagem branca, relação que aparece, de forma indireta, na chamada principal do filme: Change begins with a whisper (Mudança começa com um suspiro). Dentro do enredo, o suspiro é a empatia mútua que finalmente aparece entre as relações interraciais da comunidade de Jackson, e representada tanto pelo trabalho de Skeeter com as empregadas quanto pela relação entre Minny e Celia Foote (Jessica Chanstain).

          Polêmicas à parte, o trabalho desenvolvido pela personagem de Emma Stone oferece ao espectador um panorama sobre o momento do jornalismo na década de 60. Formada em jornalismo, Skeeter, em vários momentos do filme, manifesta sua vontade em seguir a carreira literária. “Eu vou ser uma escritora séria”, ela diz, na sua primeira entrevista de emprego. Vale lembrar que o filme se passa na década de 60, época dos anos dourados do New Journalism. Jornalistas eram repórteres mas, sobretudo, eram escritores. Era a década em que Truman Capote publicaria A Sangue-Frio (1966), relato de um caso verídico de assassinato, clássico conhecido pela precisão dos detalhes e ao mesmo tempo, pela complexidade psicológica dos personagens, elementos típicos do romance literário e que passaram a aparecer, com mais frequência, na obra de outros jornalistas, como Gay Talese e Norman Mailer.

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          Para que seu livro seja aceito, Skeeter precisa da máxima quantidade de relatos possíveis. Ou seja, quanto mais fontes, melhor. Isso fica bem claro nas cenas em que a jornalista conversa com a srta. Stein (Mary Steenburgen), editora interessada pelo material: “Preciso que consiga mais o mais rápido possível, antes que esse negócio todo de direitos civis acabe”, ela explica. Ou seja, além da preocupação em elevar a credibilidade do tema bancado pela repórter (a de que as crianças brancas, quando patroas, repetiam as mesmas opressões impostas pelos pais às suas babás), com a variedade de relatos, a srta. Stein se atenta, também, ao valor-notícia do assunto, no caso, a luta contra a segregação racial, em sintonia com o trabalho da repórter. Esse valor-notícia garantiria repercussão e vendas, mas precisaria estar na onda e explorar o momento certo.

          Por questões de segurança, Skeeter muda os nomes de todos os personagens, à semelhança de um roman à clef, recurso literário em que o autor trata pessoas reais como personagens fictícios. No jornalismo, essa decisão, tal como o off, é bastante controversa, mas garante uma das regras básicas na deontologia do jornalismo: a preservação da fonte. Um caso mais próximo do uso do “anonimato” na reportagem brasileira foi o trabalho da jornalista Daniela Pinheiro para a revista Piauí: “A afilhada rebelde”, sobre a relação entre a então candidata à reeleição da presidência Dilma Roussef e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (edição 97, outubro/2014).

          Embora admita preferir trabalhar com a divulgação dos nomes reais de suas fontes, Pinheiro, ao explicar sobre a opção pelos offs, ressalta o teor das declarações que conseguiu, cujo caráter controverso não permitia a exposição dos nomes que se dispuseram a conversar com a jornalista. Mas graças ao valor-notícia do assunto (a reeleição, as chances da derrota da presidente), ela preferiu conduzir o trabalho dessa forma, ao invés de desistir de qualquer fato que não permitisse a divulgação da fonte.  “Eu não acho que seja uma missão contribuir ou não para o uso de offs entre aspas. É como eu falei: eu prefiro matéria sem off, mas eu prefiro a matéria à não-matéria. Essa é uma matéria.”

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          Com os relatos, Skeeter consegue produzir um trabalho que, para muitos historiadores, seria um documento historiográfico preciso da época. A autora ouve as depoentes e identifica coerência nas narrativas de como eram as relações entre patroas brancas e empregadas negras. As regras de sociabilidades e de diferenciação eram claras e se repetiam nos relatos, o sofrimento desencadeado pela discriminação, pela indiferença e até crueldade emergiam com verossimilhança nas lembranças de décadas de trabalho e humilhação. O cotidiano, os sentimentos vívidos nas vozes das mulheres e as formas de uso do banheiro desvelaram o racismo no espaço privado e na vida íntima, sensibilizando leitores do livro e o público do filme.

          E por fim, Skeeter era uma jornalista distante da realidade das empregadas, embora tivesse a infância marcada pela sua relação com a babá. Houve, portanto, o registro das histórias de uma minoria social sob a ótica de uma representante da categoria hegemônica daquela sociedade, assim como o filme e o livro foram escritos por autores/diretores brancos.  Como em diversas outras produções jornalísticas, o profissional estranho a um grupo discriminado e oprimido busca empatia, coloca-se como parte dele, faz a mediação, e cria uma leitura levando a realidade dessas pessoas para outras que não a conhecem, sensibilizando e estimulando a solidariedade política. Por outro lado há um limite, não é um membro do próprio grupo que denuncia a discriminação.

          Portanto, em tempos de discussões sobre a pluraridade de vozes na mídia, é interessante observar, no exemplo de Histórias Cruzadas, a importância do protagonismo das minorias, e os desdobramentos de sua ausência.

Links e referências interessantes:

DE PAULA, Francislene Pereira, MACHADO, Marcello Pereira. “Nós Contamos Nossa História”: Cidadania e Protagonismo Midiático de Cegos na Comunicação Organizacional Disponível em: http://www.unicentro.br/redemc/2012/artigos/32.pdf

GROENT, Rick. The Help: Civil rights lite, played for laughs. Disponível em: http://www.theglobeandmail.com/arts/film/the-help-civil-rights-lite-played-for-laughs/article629557/

Histórias Cruzadas. http://www.historiascruzadas.com.br/

LAURIER, Joanne. The help: a civil rights film that ignores the civil rights moviment. World Socialist Web Site. Disponível em: http://www.wsws.org/en/articles/2011/08/help-a27.html

Ficha técnica:

Título original: The Help

Ano: 2011

Direção: Tate Taylor

Roteiro: Tate Taylor, adaptação do romance (The Help) de Kathryn Stockett

Elenco: Jessica Chastain, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Allison Janey, Octavia Spencer, Emma Stone

Gênero: Drama

Duração: 146 minutos

Trailer: